Especial Cultura Afro-brasileira: Mulheres no Samba

 

Por: Lessandra Santos

O samba é um símbolo de resistência negra, era cantado, principalmente, para expressar as injustiças sociais. Há quem diga que ele foi introduzido no Brasil no período colonial com a vinda dos africanos escravizados. O ritmo, com batuques, percussões e dança, era parte de seus rituais religiosos. Aos poucos foram incorporando elementos de outros tipos de música, tornando assim um estilo que provém da fusão entre as culturas africana e brasileira.

Foi a partir do século XIX, que a cidade do Rio de Janeiro, capital do Império, também passou a abrigar uma leva de negros vindos de outras regiões do país, sobretudo da Bahia. Foi nessa época que nasceram os aglomerados em torno das religiões iorubás, onde atuava mães e pais de santo. Assim as primeiras rodas de samba apareceram.

“Pelo telefone” foi o primeiro samba gravado no Brasil, em janeiro de 1917, cantado por Baiano. A letra foi uma composição coletiva, com a participação de João da Baiana, Pixinguinha, Donga e outros músicos. A Composição se deu na casa da Tia Ciana (Hilária Batista de Almeida), no Rio de Janeiro. Em sua casa eram realizadas várias rodas de samba e muitos atribuem a ela uma grande importância no samba carioca.

Uma reportagem na revista Geledés afirma que tanto a mulher como a religião afro-brasileira tiveram um grande papel para que o samba conseguisse resistir, porque era dentro dos terreiros das casas das tias baianas, no espaço privado e escondido, que o samba era livre para acontecer, quando estourou a Lei da Vadiagem (1941).

A pioneira foi Madrinha Eunice, primeira mulher a presidir uma escola de samba, a Lavapés de São Paulo.

Mas só mesmo depois da década de 1960 é que as mulheres tiveram mais visibilidade no samba, já aceito como cultura popular.

Vamos enaltecer aqui quatro mulheres importantes para a história do samba nacional e para o samba local.

dona ivone

Dona Ivone Lara

A primeira mulher a assinar sambas, em especial sambas-enredo. Começou a compor com 12 anos de idade, quando escreveu seu primeiro sucesso, “Tiê-Tiê”, sobre seu passarinho. Apesar de começar nova, só conseguiu gravar seu primeiro disco a partir dos 50 anos, assim como outras mulheres. O preconceito contra as mulheres foi maior que seu talento, e, no final da década de 1940, todos os sambas que compôs foram apresentados aos outros sambistas pelo seu primo Mestre Fuleiro, como se fossem deles.

Com o samba “Os cincos bailes da história do Rio”, em 1965, tornou-se a primeira mulher a fazer parte da ala de compositores de escola de samba, da Império Serrano, onde desfilou com a ala das baianas.

clementina de jesus

Clementina de Jesus                     

Nasceu no Rio de Janeiro, tempos após a abolição da escravatura, trabalhou até aos 63 anos de idade como escrava domestica, quando só ai conseguiu começar sua carreira. Com a mãe lavadeira, filha de escravos e pai pedreiro, violeiro e capoeirista, Clementina aprendeu as melodias do jongo, do lundu, os pontos de umbanda e as músicas que falavam sobre a África.

Foi descoberta pelo produtor Hermínio Bello de carvalho enquanto cantava em um bar, lançou onze álbuns entre 1965 e 1982. Ficou conhecida como a Rainha Ginga por estabelecer um elo entre o Brasil e a ancestralidade africana.

sandra portela

Sandra Portella

Mineira, de Juiz de Fora, filha de Valdir Delgado e Lecy do Samba, compositora apaixonada pela Juventude Imperial e amante de Clara Nunes, amor esse que passou para filha.

A carreira de Sandra começou quando ainda trabalhava como caixa de um supermercado. A sambista costumava cantar no vestiário até que foi notada por Joel Oliveira. Começou a fazer shows em Juiz de Fora e em outras cidades da região e do país. Gravou o CD de Música Popular Brasileira com Fabrício Andrade.

Sandra percorreu bandas de MPB, música country, até chegar no samba. Em 2013, lançou seu CD como cantora solo.

alessandra crispin

Alessandra Crispin

Essa história vocês podem conferir na entrevista que fizemos no dia 27 de março desse ano.

Correção: No áudio falamos que o CD se chama Identidade, porém se chama Meu Nome é Crispin

#Mergulhenotema

 

Arte: Maurício Fantini
Fontes: História do SambaRaízes do SambaImportância das Mulheres no SambaSambistas que transformaram o sambaHistória Sandra PortellaVoz feminina do samba 
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2 comentários sobre “Especial Cultura Afro-brasileira: Mulheres no Samba

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